Vergar Ataraxia

Oficinas do Covento, Montemor-o-Novo, PT
2024 – 2025

Apropos

A ataraxia é uma ausência de interesse ou de resposta a estímulos externos. Questionar essa indiferença está ligado, em primeiro lugar, ao sítio onde a galeria Breve Mente se encontra. Situada em frente a um semáforo, do qual o sinal vermelho testa a paciência dos/das automobilistas, o tédio, aqui, é (re)compensado por trabalhos artísticos esporadicamente expostos em vez de publicidades pomposas. A ataraxia também relaciona-se com a apatia possível diante das deslocações políticas lentas e, então, facilmente ignoradas ou menosprezadas. As mesmas, porém, têm consequências de longo prazo e fazem ressurgir “zumbis” que pensávamos extintos. Em filosofia, ataraxia também pode ser tranquilidade. Representa a impassibilidade de uma alma que se tornou dona de si mesma através da sabedoria adquirida quer pela moderação na busca dos prazeres, no Epicurismo, quer por uma apreciação exacta do valor das coisas, no Estoicismo, quer pela suspensão do juízo, no Ceticismo (CNRTL).

A série Vergar Ataraxia foi concebida durante uma residência artística que fiz com o meu filho e a minha companheira, Sofia Lopes Borges, nas Oficinas do Convento, em julho de 2024. Faz parte de uma investigação sobre a linguagem corporal, a censura e a pluri-semântica dos gestos políticos e religiosos. A minha intenção com essa série é explorar a gramática da dualidade sem chegar a conclusões maniqueístas, regidas unicamente por uma oposição entre o bem e o mal, porém explicitamente expondo oposições nas quais a audiência deve se situar.

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Vergar Ataraxia — 1

ATARAXIA, Public installation, solo exhibition VERGAR ATARAXIA, Galeria Breve Mente, Montemor-o-Novo, PT, 2025